Artigos

Validação e Qualificação “térmica” na indústria farmacêutica

Em Processo, Qualidade, Qualificação, Qualificação de equipamentos, Sobre a área de medição

A validação de processos é uma atividade essencial das Boas Práticas de Fabricação (BPF). A publicação da RDC 304 da ANVISA que dispões sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos  (BPA; BPDA e BPT) apresentou o conceito de Qualificação Térmica e a necessidade de Validação.

Os medicamentos sensíveis a tempo e temperatura ou como definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os Time and Temperaure – Sensitve Pharmaceutical Product (TTSPP) precisam ser distribuídos, armazenados e transportados em uma temperatura controlada.

Esses processos “térmicos” (armazenamento, distribuição e transporte) precisam ser validados como forma de manter a qualidade dos medicamentos e insumos farmacêuticos ativos (IFAs).  Somente a validação realizada de forma adequada e com métodos confiáveis pode levar a resultados confiáveis e garantir a qualidade do produto ao longo de toda a cadeia de fornecimento (cadeia de frio).

Infelizmente a RDC 304 apresenta um texto muito ruim e confuso em relação às qualificações e validações necessárias. Nos artigos 40 e 41 são apresentados os seguintes textos:

(Art. 40) “Equipamentos e sistemas informatizados devem ser qualificados e validados antes do seu uso ou depois de qualquer mudança considerada significativa.” 

(Art 41) “Deve existir um programa de manutenção preventiva para equipamentos com impacto na qualidade”.

O artigo 40 acima (infelizmente) vai em desacordo com outros documento da ANVISA e guias da OMS. Não existe referência a validação de processos.  A validação de sistemas informatizados é uma atividade completamente diferente da validação de processos. A revalidação em intervalos regulares não é comentada deixando “em branco” um assunto muito relevante.

Equipamentos são qualificados para realizarmos a validação de um processo. Para entender melhor vamos pensar em um exemplo: O processo de armazenamento de vacinas utiliza um equipamento conhecido como refrigerador científico ou farmacêutico.

A qualificação do refrigerador, os dados de monitoramentos do processo, a calibração e verificação dos instrumentos e os protocolos elaborados e utilizados para avaliar as informações obtidas formam um conjunto de informações para validar esse processo.

A implementação de um trabalho de validação não é uma coisa simples. A OMS destaca que são necessários recursos de tempo (dias, semanas e até meses), pessoas (pessoas de diferentes áreas) e financeiros (tecnologia e serviços).

O conceito de Validação

Os princípios básicos da garantia da qualidade tem como objetivo a fabricação de produtos que são adequados ao seu uso pretendido ou projetado. Mas, quando a qualidade do produto não puder ser testada diretamente no produto?

Nesse momento que entra a validação de processo, uma atividade fundamental para atingir o objetivo da garantia da qualidade. Através do projeto e da validação do processo é que podemos estabelecer a confiança que os produtos mantêm a qualidade e continuam adequados ao uso pretendido.

Uma vacina ou um medicamento oncológico armazenado ou transportado fora da temperatura adequada não terá a mesma eficácia prevista ou esperada, o que é no mínimo um problema muito sério para o usuário/paciente/cliente.

A OMS define o conceito de validação como “ação de provar e documentar que qualquer processo, procedimento ou método gera os resultados esperados de maneira consistente e confiável”

Relação entre Validação e Qualificação

Uma confusão muito comum que temos é a diferença entre validação e qualificação. Ambos são essencialmente a mesma coisa. A OMS qualifica ambos como sendo componentes de um mesmo conceito das Boas Práticas.

O conceito de Qualificação, normalmente, é utilizado para equipamentos, utilidades e sistemas. A Validação é utilizada para processos, assim a Qualificação é um etapa da Validação.

Por exemplo: Para validar o processo de armazenamento de vacinas precisamos qualificar o equipamento (refrigerador científico ou farmacêutico). Os resultados da qualificação devem ser avaliados e aceitos como forma de evidenciar a validação.

Abordagens da Validação

Existem duas formas básicas de abordar uma validação. Uma abordagem baseada em evidências realizadas através de ensaios e coleta de dados, a validação prospectiva. A outra abordagem é baseada na análise histórica de dados e informações acumuladas, a validação retrospectiva.

Sempre que for possível é recomendado a validação prospectiva. A realização de ensaios  com métodos confiáveis e a utilização de dados obtidos recentemente é uma maneira mais adequada e confiável de se validar um processo.

A documentação da Validação

Um dos maiores erros das empresas durante a Validação de um processo é a documentação necessária e a elaboração dessa documentação. Não é incomum “validações” serem realizadas sem um protocolo definido e documentado, sem regra de decisão definida, sem relatórios de ações geradas ou propostas ou sem um plano mestre.

A OMS cita os seguintes documentos associados com a Validação:

  • Procedimentos operacionais padrão (POPs);
  • Especificações e requisitos do processo;
  • Plano mestre de validação (PMV)
  • Protocolos de qualificação e validação;
  • Relatórios de qualificação e validação.

O conjunto desses documentos evidencia que um processo está validado e podemos confiar que ele funciona como deveria.

Como podemos ajudar a sua empresa?

A ACC Engenharia de Medição com um corpo técnico altamente qualificado e com mais de 20 anos de experiência pode ajudar sua empresa a aplicar os conceitos de validação e qualificação,, auxiliando na avaliação de dos processos, na elaboração da documentação e na execução das etapas de qualificação e validação.

Conhecimento tecnológico e suas aplicações são fundamentais para a busca da melhoria contínua, garantir a qualidade de produtos e a confiabilidade dos processos.

Entre em contato conosco e entenda como podemos ajudar você a gerar valor

[1] WHO. Validation. Guidelines on Qualification. Appendix 6. 2018;
[2] WHO. Technical Report Series 937. Annex 4. Supplementary guidelines on good manufacturing practices: validation. 2006;
[3] ANVISA.Guia 02/2017 – Versão 02. Guia para a qualificação de transporte de produtos biológicos. 2017.
[4] ANVISA. RDC 304 Dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos.
[5] WHO. Technical Report Series 937. Annex 9. Model guide for the storage and transport of time and temperature-sensitive pharmaceutical products. 2011.
Fale conosco!